Nesse projeto, fiz Estratégia de Marca e Identidade Verbal, atuando desde o zero com a @Geovanna Ribeiro para dar apoio na construção visual também.
A nutricionista comportamental que trabalha o equilíbrio entre saúde mental e vida real
Rute de Paula atende pessoas que querem aprender a comer melhor, cuidar de si mesmas e estão cansadas de sentir culpa em cada refeição. Em vez de reforçar a lógica de dietas restritivas, terrorismo nutricional e metas estéticas inatingíveis, a Rute transformou o consultório em uma espécie de escola: um espaço seguro onde cada paciente reaprende, no próprio tempo, a se relacionar com a comida, com o corpo e com a própria história. 

Seu trabalho parte de um princípio claro: comer é, e sempre vai ser, um gesto de amor. A identidade de marca que desenvolvemos nasce para traduzir essa postura em todos os pontos de contato, fortalecendo a percepção de autoridade técnica ao mesmo tempo em que preserva aquilo que torna a Rute única: vulnerabilidade profissional, comunicação acessível e um olhar profundamente humano sobre a nutrição. Não se trata apenas de criar uma marca bonita, mas de construir um sistema visual e verbal capaz de sustentar um posicionamento político no melhor sentido da palavra: uma nutrição que luta contra a cultura da dieta, a desinformação digital e a culpa como ferramenta de controle.

Pesquisa, estratégia e construção de marca
A etapa de pesquisa começou olhando para o contexto em que a Rute está inserida. Nos últimos anos, especialmente no pós‑pandemia, a nutrição comportamental se consolidou como resposta ao desgaste de décadas de cultura de dieta. Tendências como mindful eating, reconexão corporal, o comer com intuição, slow food e comensalidade passaram a ocupar mais espaço no debate público e nas práticas clínicas. 

Ao mesmo tempo, o ambiente digital se tornou um terreno fértil para a proliferação de discursos superficiais e perigosos. Dados recentes mostram que cerca de um 1/3 dos perfis profissionais no Instagram produzem algum tipo de conteúdo relacionado a comida, dieta, corpo ou bem‑estar, e que cada hora adicional de uso de redes pode aumentar de forma significativa o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares. 

Foi a partir desse cenário que o posicionamento da Rute ganhou forma: ela atua onde nutrição comportamental e saúde mental se encontram. O foco não está em prometer transformações estéticas rápidas, mas em reconstruir, passo a passo, a relação do paciente com a comida e com o próprio corpo. Em vez de entregar cardápios prontos e protocolos rígidos, a Rute oferece educação alimentar contínua, acompanhamento próximo e o seu principal diferencial: a construção de autonomia dentro de um processo que faz seus pacientes ganharem “alta” da nutricionista. ​​​​​​​

Uma identidade visual que abraça quem chega
A identidade visual da Rute de Paula foi desenhada para sustentar esse posicionamento de forma honesta e consistente. A primeira decisão foi afastar a marca do imaginário tradicional de “nutrição fitness”, com verdes saturados, brancos assépticos e símbolos óbvios de folha, fita métrica e balança. Em vez disso, buscamos uma estética que remetesse a casa, corpo, mesa e cotidiano: uma nutrição que cabe na vida real, não apenas no feed perfeito. 

A paleta cromática nasceu das cores que toda casa de vó brasileira tem e possui a terracota como cor predominante, evocando terra, pele, afeto e calor. Ao redor dela, uma família de tons secundários análogos e terrosos cria profundidade e versatilidade. O objetivo é que qualquer peça da Rute, mesmo sem logotipo, seja convidativa e humana.

A tipografia permite destacar palavras‑chave com peso, contraste e itálicos, criando um ritmo de leitura próximo do texto falado da Rute: há pausas, ênfases e nuances. Para textos corridos e interfaces digitais, temos legibilidade e clareza, especialmente importante em carrosséis educativos e conteúdos densos. A combinação serif + sem serif traduz visualmente o encontro entre acolhimento e técnica, afeto e ciência.

O símbolo da marca parte de formas orgânicas que lembram uma flor, mas sem literalidade excessiva. Ele funciona como uma metáfora de cuidado, delicadeza e processo: algo que se abre, se transforma, floresce. Em aplicações, esse símbolo aparece como selo, carimbo ou detalhe, reforçando a presença da marca sem competir com o conteúdo. 
Essa combinação de cores, tipografia, símbolo, texturas e fotografia cria um sistema visual coeso, onde cada componente reforça a mensagem central: aqui você é acolhido, levado a sério e convidado a aprender, não a ser julgado.

Uma identidade verbal que aproxima e posiciona
O eixo dessa construção é a tagline que sintetiza o posicionamento da Rute e delimita com clareza quem ela escolhe atender: “Nutricionista comportamental pra quem gosta de barriga cheia”. À primeira vista, a frase parece simples e até bem‑humorada, mas estrategicamente ela carrega camadas importantes. Em um mercado onde a maior parte da comunicação gira em torno de “foco total”, “projeto verão” e “corpo dos sonhos”, assumir que o público‑alvo é “quem gosta de barriga cheia” é um gesto de enfrentamento à cultura da privação.

A marca escolhe normalizar o prazer de comer e reposicioná‑lo como parte legítima de uma vida saudável.
Gosto, saciedade e plenitude deixam de ser sinal de fracasso e passam a ser premissas do trabalho.

As expressões, tanto proprietárias quanto do dia a dia, criam um território de palavras que também cumprem outro papel: aproximam a Rute de quem lê. Em vez de jargões técnicos ou termos exclusivamente clínicos, ela fala a língua da mesa, da conversa entre amigos, do jeito que as pessoas realmente falam suas experiências. Isso desarma resistências, cria identificação e abre espaço para que conteúdos densos cheguem de forma menos ameaçadora. Tudo isso sem deixar o lado profissional esquecido.

No fim, a identidade verbal da Rute de Paula sustenta a mesma promessa que orientou todo o projeto: usar a nutrição como ferramenta de reconciliação com o corpo, com a comida e com a própria história.​​​​​​​

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