A Copa do Mundo de 2022 aconteceu no Catar, um país com leis e práticas abertamente contrárias à comunidade LGBTQIA+. Muito antes do apito inicial, já havia um aviso claro: manifestações públicas com a bandeira arco-íris não seriam bem-vindas. Quando a paixão pelo futebol se encontra com a ameaça à liberdade de expressão, torcer deixa de ser apenas sobre o placar.
Foi nesse cenário de censura e tensão que nasceu o projeto Arsenal do Amor, uma coleção de bandeiras pensada para quem não abre mão de levar seu orgulho junto com a camisa da seleção. Se as bandeiras LGBTQIA+ seriam barradas nos estádios, a pergunta foi: como manter o orgulho visível sem dar à censura o que ela espera ver?
A resposta estratégica foi criar uma nova coleção de bandeiras brasileiras com símbolos LGBTQIA+ camuflados nos elementos já consagrados do imaginário nacional: cores da bandeira, tipografia de arquibancada, gritos de gol, referências históricas e gráficas. Por fora, bandeiras verde-amarelas “comuns”. Por dentro, códigos visuais que só quem conhece a pauta reconhece de imediato.
Assim, cada bandeira se torna um ato de protesto disfarçado, capaz de atravessar o filtro da censura e, ainda assim, reunir quem está do mesmo lado da arquibancada: o lado do amor.